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Vitamina D afeta a imunidade e o desempenho esportivo

 

A deficiência da vitamina D afeta a saúde musculoesquelética tanto na força muscular quanto na resistência óssea, deixando ossos e músculos mais frágeis. Isso pode causar queda no desempenho esportivo, como explica a médica endocrinologista Marise Lazaretti, além de enfraquecer o sistema imunológico. E, de acordo com um trabalho de revisão de estudos publicado no ano passado, a melhor fonte de vitamina D ainda é a luz do Sol, embora cada caso deva ser avaliado individualmente para se estabelecer a necessidade ou não de suplementação, inclusive entre atletas.

O atleta precisa do aparato muscular em ordem, que tenha todos os nutrientes para ter o desempenho durante a atividade física. A deficiência vai ser muito sentida por quem pratica o exercício de forma disciplinada e com metas. Pode cair bastante sim o desempenho. Mas não podemos pensar que aumentando o consumo da vitamina D sem acompanhamento médico teremos mais músculo. Não existe o conceito de ‘quanto mais, melhor’, até porque a vitamina D pode causar intoxicação, se usada de maneira indiscriminada - observa Lazaretti.

Vitamina D: o que é e benefícios
Com mais de 30 receptores no corpo humano, a vitamina D é considerada pela Sociedade de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) como um pré-hormônio, pois está envolvida em muitos processos do organismo, tais como:

Proteção cardiovascular;
Prevenção de doenças respiratórias;
Participação na absorção intestinal de cálcio e fósforo;
Atuação no desenvolvimento dos ossos e dentes
Cofator para a fisiologia da tireoide
Estímulo à mineralização óssea;
Influência na síntese e fatores de coagulação;
Auxílio na prevenção do câncer;
Efeito anti-hipertensivo, antidiabético e anti-inflamatório;
Auxílio na manutenção de uma boa imunidade;
Importância na recuperação de Covid-19, já que baixos níveis de vitamina D estão fortemente relacionados com a taxa de mortalidade da doença causada pelo novo coronavírus;
Efeito na força muscular e na resistência óssea;
Participação na síntese de proteínas através das ações do receptor do nutriente no tecido muscular;
Proteção contra lesões ósseas por uso excessivo, como fraturas por estresse, por meio de seu papel no metabolismo do cálcio.
- Quando produzida na pele, o que acontece quando tomamos sol, ou mesmo administrada via oral, ela não é a substância ativa. Ela precisa passar ainda por várias modificações da molécula antes de se tornar o calcitriol, um hormônio muito potente que é produzido basicamente no rim, cai na circulação e assim atua por completo, em várias células do nosso organismo, especialmente no intestino, nos ossos e nos músculos - explica Marise Lazaretti, que é membro da SBEM.

Como ela ajuda no desempenho esportivo?

Quando se trata de força, equilíbrio e coordenação para performance de atletas, níveis de vitamina D entre 30 e 40 ng/ml são considerados suficientes. Segundo uma revisão de artigos publicada na Sports Medicine, a vitamina D mantém o desempenho físico em atletas e pessoas ativas e seu baixo nível afeta a força muscular. A publicação também sugere que a vitamina D participa da síntese de proteínas através das ações do receptor do nutriente no tecido muscular e pode proteger contra lesões por uso excessivo, como fraturas por estresse, por meio de seu papel no metabolismo do cálcio. De acordo com o diretor de Ciência e Nutrição da DSM e engenheiro de alimentos Hector Cori, a vitamina D tem um papel na força muscular e a ciência mostrou que os idosos com níveis adequados de vitamina D sofrem menos quedas do que aqueles com deficiência.

- Isso também é observado em jovens e atletas, que podem ter melhor desempenho com nutrição ideal em vitamina D. O papel dela no músculo é mais bem fundamentado cientificamente na força muscular, o que pode ser devido a um efeito na própria fibra muscular ou à melhor função neuromuscular - afirma.

Vitamina D emagrece?

É muito comum que pessoas obesas tenham deficiências de vitamina D. Mas, segundo Lazaretti, não se sabe exatamente a causa, ou pelo menos, é possível que haja mais de uma possibilidade.


- Uma das explicações é que a vitamina D seria ‘sequestrada’ pelo tecido gorduroso em excesso, deixando a pessoa com deficiência. Outra é que, em geral, o paciente obeso se expõe pouco ao sol, não pratica atividade física e evita expor o corpo. Mas não podemos afirmar que a vitamina D engorda ou emagrece - afirma a médica.

Entretanto, para Hector Cori, existem evidências que mostram que níveis mais altos de vitamina D podem ajudar a perder peso ou evitar que se ganhe muito peso.

- Isso acontece devido a mecanismos que controlam o crescimento das células adiposas e também pelo aumento da serotonina, um neurotransmissor que regula muitos processos metabólicos - explica.

Segundo Cori, o inverso também é verdadeiro: a perda de peso aumenta os níveis de vitamina D porque diminui o efeito de diluição em um corpo maior e na gordura corporal. Ela também ajuda a reduzir os níveis de cortisol, hormônio do estresse tão presente nas rotinas atuais e que, entre outras consequências para a saúde, favorece a formação de gordura estocada.

Alguns especialistas sugerem que a vitamina D promove o metabolismo da gordura, acelerando a quebra da gordura pelo fígado (cortando a produção do hormônio da paratireoide e do calcitriol). Ela também ativa a força dos músculos, facilitando a redução do excesso de gordura no tecido muscular e aumentando a força.

Potência cardiorrespiratória

Uma publicação de 2018 da European Society of Cardiology (ESC) no European Journal of Preventive Cardiology mostrou que os níveis de vitamina D no sangue estão ligados à aptidão cardiorrespiratória. Realizado nos Estados Unidos, o estudo acompanhou 1.995 participantes com idade entre 20 e 49 anos, sendo 13% hipertensos e 4% diabéticos.

Divididos em quatro grupos, aqueles que consumiram mais vitamina D tiveram uma aptidão cardiorrespiratória mais de quatro vezes maior. Após o ajuste para fatores que poderiam influenciar a associação (sexo, idade, tabagismo, sexo, IMC, hipertensão e diabetes), a ligação permaneceu significativa, com força de quase três vezes.

Segundo os pesquisadores, a relação entre níveis mais altos de vitamina D e melhor capacidade de exercício se mantém em homens e mulheres, entre jovens e meia-idade, entre etnias, independentemente do índice de massa corporal ou tabagismo, e se os participantes têm ou não hipertensão ou diabetes, mostrando uma associação forte e consistente entre os grupos.

Doses recomendadas e intoxicação
Entre os alimentos que são fontes do nutriente estão o salmão, a sardinha, a cavala e o atum em lata, o cogumelo shitake (de preferência o seco ao sol), a gema de ovo e a carne. Mas estudos realizados já mostraram que os brasileiros consomem diariamente entre 40 a 80 unidades de vitamina D na alimentação, o que é muito abaixo das doses recomendadas. Alguns especialistas defendem uma dosagem acima de 20 ng/ml, outros acima de 30 e outros recomendam entre 40 e 60 ng/ml.

- A alimentação nunca será suficiente. Nós dependemos mesmo da exposição ao sol. A recomendação geral para fins didáticos é de 10 a 15 minutos por dia de exposição ao sol, preferencialmente de 10h às 15h, com a pele exposta - explica Lazaretti.

A suplementação depende da dosagem no sangue do paciente. Se os números forem muito baixos, médicos podem prescrever doses de ataques (doses maiores usadas por até 2 meses) para corrigir a deficiência, com valores entre 7.000 unidades por dia ou 50.000 por semana.

- Após a correção, podemos administrar as doses habituais que ficam em torno de 1.000 unidades a 2.000 unidades por dia, ou 7.000 a 14.000 por semana – finaliza.

O uso indiscriminado em altas quantidades e as reposições venosas são prejudiciais e podem causar intoxicação ou até mesmo cálculo renal, por isso é importante sempre procurar um médico e realizar exames antes de tomar qualquer suplementação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: G1 Saúde